25.ago.2021

Qualcomm e Intelbras anunciam colaboração para produção de soluções 5G no Brasil

Gigante americana deu exclusividade na América Latina à fabricante brasileira

 

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Protótipo do CPE 5G: Roteador Intelbras Wi-Fi 6 Mesh com tecnologia Qualcomm para casas, apartamentos ou escritórios, disponibilizando acesso de internet através da nova rede 5G. Foto: divulgação

 

A Qualcomm, fabricante americana de chipset, firmou um contrato com a companhia brasileira Intelbras para licenciar sua tecnologia da quinta geração de serviços móveis (5G). A catarinense é a primeira parceira da Qualcomm para a linha 5G e ganhou exclusividade na América Latina para produzir equipamentos e dispositivos da nova geração para operadoras de telecomunicações, provedores de acesso e conteúdo, e também ao consumidor. Em outros países da região, a americana importa os sistemas.

As empresas estão se preparando para abocanhar boa parte da demanda de 5G, com o leilão prestes a ser marcado. Com seis unidades fabris em diferentes localidades do país e em fase de expansão, a Intelbras vai investir próximo de R$ 1 bilhão no Brasil, em 12 meses. Em seu plano estão novos projetos, construções e ampliações de unidades.

Altair Silvestri, executivo-chefe da Intelbras, estima que em 2026 cerca de 20% dos 9 milhões de acessos em banda larga existentes serão de tecnologia 5G. Ele pretende abocanhar uma fatia disso.

Os recursos já começaram a ser aplicados, sendo que parte do valor é proveniente de uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), feita em fevereiro deste ano na B3, com a captação de R$ 1,3 bilhão. Na mira da catarinense também estão aquisições.

Do investimento total, R$ 150 milhões são relativos ao projeto 5G, diz Silvestri. O orçamento para a nova geração de telefonia móvel prevê gastos em infraestrutura, contratação de colaboradores (hoje são 5 mil), maquinário e desenvolvimento de tecnologias.

A fabricante está construindo mais duas unidades fabris, uma em Tubarão e outra em São José (SC), sendo uma delas só para energia e a outra para cabeamento estruturado de várias tecnologias.

“É um projeto importante, o leilão de 5G está prestes a ocorrer. Saímos na frente e estamos nos preparando para suprir o mercado através de fabricação e disponibilidade de produção local”, diz Silvestri.

“Não só a Intelbras vai produzir, mas vai produzir o primeiro módulo 5G. É um avanço nos casos de negócios”, afirma Luiz Tonisi, vice-presidente da Qualcomm Serviços de Telecomunicações Ltda e presidente da Qualcomm América Latina.

A Qualcomm é uma gigante de tecnologia que em seu terceiro trimestre fiscal, encerrado em junho, mais que dobrou o lucro líquido. Os ganhos somaram US$ 2 bilhões, o que representa um crescimento de 140% em relação a igual período de 2020. A receita alcançou US$ 8 bilhões, com um avanço de 65%. A companhia possui um ecossistema móvel presente nos smartphones 3G, 4G e 5G.

Já a Intelbras, há quase meio século no mercado brasileiro, obteve receita operacional líquida de R$ 725 milhões no segundo trimestre de 2021, com avanço de 109% em comparação com igual período do ano anterior. O lucro líquido foi de R$ 85,3 milhões no período, com alta de 67,2% em base anual.

Segundo Silvestri, apesar de a banda larga ter evoluído no país, por meio da fibra óptica, há mais de 200 mil pontos que a tecnologia por cabo não consegue alcançar. Os novos serviços de conexão em tempo real e que requerem alta velocidade podem ser supridos com 5G. A Intelbras está se posicionando para completar com 5G sua linha atual de 1,3 mil produtos.

Agora com a parceira Qualcomm, a Intelbras vai fabricar o produto conhecido no mercado como CPE (“customer premises equipment”). É o modem (caixa preta) que fica no domicílio do usuário para dar o acesso à internet. A CPE 5G da Intelbras vai captar o sinal de internet da futura rede e distribuí-lo na residência ou no escritório por meio de roteador Wi-Fi 6 ou 6E.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2019, divulgada em 2021, indica que mais de 82% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet, mas a maioria é por rede móvel. Pela rede fixa são acima de 37 milhões de acessos, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O objetivo das parceiras é massificar o serviço e levar a conexão onde ainda não tem.

A Qualcomm possui uma plataforma de 5G com tecnologia de acesso fixo-móvel (“fixed wireless access” - FWA) de segunda geração, com seu sistema Snapdragon X62 5G Modem-RF e Wi-Fi 6 e 6E. Todos os sistemas estão dentro do acordo plurianual, cuja exclusividade é por determinado período, não revelado pelas companhias.

Segundo a empresa americana, a tecnologia 5G FWA vem sendo chamada de “fibra pelo ar”, pela equivalência com o cabo. A previsão é que os produtos estejam disponíveis a partir de 2022.

A Intelbras tem uma rede com 80 mil instaladores, revendedores, suporte ao cliente e à rede de varejo. As empresas, principalmente pequenas e médias, e residências são, atualmente, os principais clientes, com os mais de 10 mil provedores na sequência. As grandes operadoras, que já foram grandes clientes no período da privatização do Sistema Telebras, voltaram ao foco da fabricante.

Notícia completa disponível em: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/08/24/intelbras-se-une-a-qualcomm-faz-ampliacao-e-produzira-5g.ghtml