28.abr.2021

Economia circular valoriza materiais recicláveis

Os caminhos do lixo

 

Considerados grandes geradores de resíduos, fabricantes de impressoras, bebidas e eletrodomésticos, apostam em novos modelos de economia circular para valorizar materiais recicláveis na produção e acelerar metas de sustentabilidade desenhadas até 2025. O uso de plástico reutilizado ou resgatado dos oceanos já aparece em notebooks e aspiradores de pó, de marcas como HP e Electrolux.

Na catarinense Intelbras, fabricante de câmeras e equipamentos de segurança eletrônica e comunicação, dez toneladas de isopor seguiram, nos últimos quatro anos, para produtores de molduras de quadros e rodapés, com um volume de reutilização que alcança 2,5 toneladas/ano.

Marciel Manoel Linhares, gerente de qualidade e meio ambiente da empresa, afirma que, em 2020, das duas mil toneladas de resíduos - 84,7% foram reciclados e o restante seguiu para aterros ou incineração. Em dois anos, a meta é reaproveitar 90% de tudo o que a marca produz.

Somente em março, foram reaproveitadas 74 toneladas de resíduos na unidade fabril de Manaus (AM) ou o equivalente a 90% da quantidade de detritos gerados na planta, detalha.

Na HP, fabricante de computadores e impressoras, um programa global de devolução e reciclagem estabelecido em 1991 se espalhou em 76 países. Aproveita equipamentos de impressão, computação, acessórios e cartuchos de tinta e toner. Entre 2016 e 2019, somou mais de 528 mil toneladas recicladas. "Atualmente, 80% dos cartuchos de tinta e 100% das unidades de toner contêm material reciclado na composição", afirma Armando Vázquez, gerente de sustentabilidade da HP Brasil.

A iniciativa mundial de reciclagem chegou ao país em 2008 e conta com mais de 380 pontos de recepção, além de coleta gratuita em domicílio, com agendamento via site ou telefone. De 2012 até 2020, a HP Brasil reciclou 6,9 mil toneladas de equipamentos e suprimentos, sendo 630 toneladas somente no ano passado no centro de reciclagem e inovação em Sorocaba (SP).

Segundo Vázquez, a parcela de reutilização de materiais vai ser ampliada no portfólio de produtos com o uso de 30% de plástico de conteúdo reciclado pós-consumo e a eliminação de 75% das embalagens plásticas descartáveis até 2025.

Em 2019, a HP investiu US$ 1,5 bilhão em pesquisa e desenvolvimento de itens que usam tecnologias disruptivas, um aumento de 6,7% em comparação ao ano anterior. Já em 2020, as despesas com P&D diminuíram 1,4% no ano fiscal correspondente, ante o ano anterior. Um dos aportes recentes, de US$ 2 milhões, seguiu para a linha de lavagem de materiais no Haiti, para a produção de plástico reciclado limpo.

Entre os produtos à venda, o resultado das ações aparece no notebook HP Elite Dragonfly, anunciado em 2019, com caixa de som composta de 50% de plástico reutilizado, sendo 5% resgatados nos oceanos.

Na fornecedora de eletrodomésticos sueca Electrolux, o aproveitamento de resíduos aparece no aspirador de pó Vac from the sea. Lançado em 2011, é feito com 100% de plástico reutilizado, proveniente da poluição marinha. O estímulo à economia circular ganhou tração no Brasil em 2016, com a iniciativa Zero Aterro, informa João Zeni, diretor de sustentabilidade para a América Latina.

"Dois anos depois, reduzimos em 99% o envio de resíduos orgânicos para aterros da planta de São Carlos (SP), onde são fabricadas lavadoras e fogões", lembra. "Das cinco unidades da fabricante na região, duas (São Carlos e Manaus) têm a certificação 'zero aterro'. A intenção, até o fim de 2021, é estender o selo a todas", diz.

Na Novelis, que fornece chapas de alumínio para os fabricantes de latas de bebidas, 72,5% da linha de produção vêm de conteúdo reciclado. O plano da empresa é aumentar o volume em quatro pontos percentuais, nos próximos anos, segundo Eunice Lima, diretora de sustentabilidade e comunicação corporativa para a América do Sul.

Já no grupo Heineken, do setor de bebidas, desde 2020, 60% das embalagens utilizadas na produção são retornáveis, garante a gerente de sustentabilidade Ornella Vilardo.

 

Notícia completa disponível em: https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2021/04/28/economia-circular-valoriza-materiais-reciclaveis.ghtml